sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sentença

A jornada acabou. Segundo o entendimento do douto magistrado, após 4 anos e meio de processos e empecilhos na convivência do Francisco, depois de deixar o trabalho em Campinas para tentar uma aproximação com ele em Recife e ser preso por conta desta decisão, depois de 3 avaliações psicológicas diferentes, vossa excelência proferiu sua sentença.

Concluiu-se que o genitor não possui mais contato com a criança e, portanto a guarda deverá permanecer com a mãe.

Brilhante decisão da justiça! Depois de me afastar de meu filho, ignorar várias denúncias de obstacularização de visitas, a justiça decide que não posso ver meu filho porque não consigo ver meu filho. Maravilhoso exercício de lógica.

Este é o tipo de decisão que vemos todos os dias nos tribunais. Filhos afastados de seus pais por decisão das mães. Ainda temos que ouvir todos os dias que "pai não se importa" e que é somente "o amor de mãe" que faz a diferença. Maldita sociedade doentia!

Enfim, o excelentíssimo decidiu que posso requerer ainda o direito a visitas se eu abrir um novo processo!!!! O que não consigo entender é que, mesmo com um direito a visitação anterior eu não conseguia realiza-lo, um novo processo fará alguma diferença? Pior ainda, depois de CENTENAS de páginas e 4 anos e meio, ainda não foi possível decidir pela minha convivência?

Agora só me resta a pensão.


Filho, se um dia você ler estas palavras, saiba que papai te adora e deseja conviver contigo. Cabe a você agora, quando chegar uma idade que possa tomar suas próprias decisões, avisar na justiça. Certamente você ouvirá inúmeras mentiras sobre mim e minha família. Papai nunca bateu em ninguém e nunca te abandonou.

Aos pais que, como eu, continuam lutando diariamente para tentar ver os próprios filhos, força. Muita força. É uma luta inglória, que somente trás sofrimentos. Porém, ainda assim, é preciso lutar com todas as forças para o bem de seus filhos, de outros pais e pela nossa própria sanidade.

Para à sociedade, combata este maldito intervencionismo dos psicólogos. Dia após dia eles se intrometem nas decisões pessoais e familiares. Decidem por decreto o que é ou não doença e seus laudos beiram a aleatoriedade. Muitos vão presos ou prejudicados por denúncias de abuso sexual ou violência por conta disso:

http://www.calunia.com.br/

http://en.wikipedia.org/wiki/McMartin_preschool_trial

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/04/pais-de-acusado-de-abuso-sexual-nos-eua-falam-que-filho-e-inocente.html

Toda e qualquer vez que isso acontece, não é possível refutar um laudo diretamente. Ele surge como mágica, por técnicas sigilosas e especiais. É necessário um esforço imenso para tentar se reverter uma condenação psicológica através de provas materiais. Para todo e qualquer caso, é dito que "não era uma psicóloga de verdade" - http://pt.wikipedia.org/wiki/Expuls%C3%A3o_do_grupo

No caso dos pais, somos condenados preemptivamente por elas - geralmente mulheres - e temos que lidar com avaliações absurdas que necessitam ser invalidadas por tentativa e erro, fazendo novas avaliações em outros psicólogos e apresentando os relatórios mais positivos.

Enfim, são muitos problemas. Porém, no governo, algumas mudanças positivas estão ocorrendo. Como é muito difícil em geral para os magistrados lerem e interpretarem leis, está surgindo um novo projeto de Lei, a PL 1009/2011 - http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=498084 - que visa deixar numa linguagem mais simples a explicação para os magistrados sobre o significado da Lei de Alienação Parental, na esperança de que passe a ser corretamente aplicada.

Obrigado a todos que apoiaram esta luta. O protesto foi realmente uma manifestação de um resultado que já sabia desde o primeiro dia do processo, porém foi algo que mudou minha vida. E quem sabe, no futuro, possa tocar também a vida do Francisco.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Levando para um novo patamar

Perdi meu filho. É o que fica claro depois de 18 meses morando em Recife e de mais de 3 anos de luta para ter acesso a meu filhote. A justiça, com um tempo que é própria dela, avança sem urgência alguma contra esta violência que está acontecendo com o Francisco.

Alguns BOs das últimas semanas
Além de sofrer a ação de um processo fraudulento, sofri falsamente incriminado por fraude. A despeito de todos os protestos, o máximo que consegui foi o direito de ter acesso confinado e supervisionado pela própria agressora. Apesar de humilhante, este é um direito que somente ficou no papel, pois existe uma proibição da família do meu filho em Recife para que tenha acesso ao mesmo. Mesmo abandonando o trabalho em Campinas e vindo para Recife, minha única recompensa por tudo o que fiz foi passar alguns dias na cadeia por falta de dinheiro, e onerar meus pais para que pagassem pra me soltar da prisão, que, aposentados, também não tem condições de arcar com custa alguma.

Violência física contra o Francisco
Passei a dor de partilhar a violência física sofrida pelo meu filho no dia 15/09/2011 que, segundo meu filho, por uma das crianças que cuidam dele quando não há ninguém em casa. Tivemos nossas brincadeiras interrompidas pela chuva várias vezes, pois não sou bem-vinda na casa (nem posso sair do confinamento da frente da casa).

Por alguma razão obscura as pessoas partilham da crença que a maternidade deve ser protegida a TODO CUSTO, mesmo que isso implique no sofrimento do menor.

Acho que já aguentei tudo o que tinha que aguentar. Não dá mais. Não posso aceitar um Estado que protege, através de sua ineficiência, tamanha barbárie. Portanto minha luta seguira para um outro patamar.

Proibido de sair
Junto com várias organizações de pais vítimas destes abusos, iremos fazer uma série de medidas para conscientizar a sociedade sobre a igualdade parental, cobrar da justiça respeito pelos direitos humanos, o qual o Brasil é signatário, a eliminação da "achologia" que se tornou os laudos psicológicos nos processos, bem como cobrar a criminalização das falsas acusações de violência e abuso sexual, revisão da lei Maria da Penha, direito a presunção de inocência e tantas outras coisas.

Continuarei brigando no processo da mesma maneira, mas como não sei se a justiça levará mais 1 semana ou 1 década para assegurar meu papel de pai (se é que irá faze-lo), outras lutas serão travadas.

A primeira delas será no 1° Congresso Nacional de Alienação Parental promovido em Porto Alegre nos dias 27 e 28 de Abril. Outros pais que puderem se fazer presentes lá ou associarem a uma das diversas ONGs espalhadas pelo Brasil (Pais por Justiça, ABCF, ParticiPais), ajudarão muito na luta pela causa. Também estamos nos movimentando pelo Facebook, por listas de discussão, email e conferências. Todos estão convidados. Vamos movimentar a imprensa e a sociedade para que a justiça seja feita.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dia das crianças


Como sempre neste país atrasado que vivemos a violência contra a criança permanece impune. A justiça segue sem pressa para julgar a agressão contra meu filho, mas foi bem apressada para julgar o pagamento de pensão. A agressão é recompensada com dinheiro, para delírio daqueles que se divertem as custas do futuro e felicidade do Francisco.

Muitos que me apoiam nesta jornada insistem em dizer que meu filho verá com o tempo a agressão a qual é submetida e se voltará contra a família materna quando for mais velho. No entanto como fica toda a vida do Francisco comigo e com minha família? Será mesmo correto esperar pela "justiça divina"? Para que serve todo este aparato judicial? Eles não deveriam agir em prol dos interessem das crianças?

São tantas perguntas perante tamanha injustiça que fico sem direção do que fazer. Até quando devo esperar a justiça fazer algo para proteger meu filho, se é que o fará? Será que devo fazer como tantos pais e aguardar meu filho completar 10 ou 12 anos de alienação e torcer para que ele queira ter contato comigo numa idade que possa tomar esta decisão?


QUERO O DIREITO DE TER ACESSO INTEGRAL AO MEU FILHO JÁ!


Chega deste inferno. Cansei de ser preso, humilhado, lesado e, principalmente, continuar afastado do Francisco.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pai Herói

A história de minha viagem para Recife aconteceu por estímulo de meu pai, que é aposentado e apaixonado pelo ciclismo. Seu sonho desde muitos anos era seguir para Fortaleza, terra que moramos muitos anos, de bicicleta. Sua vontade era conhecer as vilas de pescadores e as pequenas cidades que compõe a rota até lá. Acabei fazendo a viagem para Recife por uma razão completamente diferente da dele e por muito tempo nossa família passou por vários percalços por conta do rapto do Francisco.

Toda a briga para recuperar meu filho raptado fez com que o sonho do meu pai fosse postergado até o dia de hoje. As 05h30 da manhã ele dará partida rumo a Fortaleza, seguindo praticamente os mesmos caminhos e trilhas que fiz até Recife, e continuando pelo litoral até Fortaleza, retornando posteriormente pelo sertão nordestino.

Eu o ajudarei nesta viagem mantendo seu blog e recebendo as fotos da viagem. Também ficará disponível no site o acompanhamento em tempo real de sua posição.



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Paternidade: Relato de um criminoso

Após o rapto do meu filho e a retirada judicial de sua guarda, nada mais me restou senão abandonar tudo em Campinas – trabalho, amigos e família, e seguir minha vida na cidade de Recife. É claro que sabia na época que isso implicaria em sérios transtornos financeiros, coisa informada ao judiciário.